Porandubas nº 286

O passarinho do senador

Quando senador pelo RN, Agenor Maria (sindicalista rural, falecido em 1997), visitando o município de Grossos, foi interpelado pelo prefeito Raimundo Pereira. “Estamos precisando de uma escola para a comunidade de Pernambuquinho”. De pronto, Agenor garantiu-lhe apoio à proposição. Semanas depois, um telegrama traz a boa-nova ao prefeito. “Escola está assegurada. Mande-me o croqui (esboço da obra)”. Tomado pelo espírito de gratidão, Raimundo visita Agenor para agradecer o empenho, carregando uma gaiola à mão. Diante do senador, que estranha o acessório, Raimundo vai logo se explicando. “Eu não peguei um concriz como o senhor pediu, mas trouxe esse sabiá. O bichinho canta que é uma beleza!”

Historinha narrada em “Só Rindo 2”, por Carlos Santos, a quem, desde já, agradeço pela remessa dos dois livros que contam “causos” do Rio Grande do Norte.

Intimidades

Conta Jorge Elias, cronista de política internacional do diário argentino La Nación, em seu livro Intimidades y Manias de Los que Gobiernan : “Carla Bruni e Sarkozy casaram-se em fevereiro de 2008. Certo dia, no Palácio de Windsor, o casal fez a Rainha da Inglaterra esperar mais de meia hora. Qual teria sido a causa ? Tempos depois, Carla confidenciou a Michelle Obama, mulher do presidente Barack Obama, que ela e o marido deram o cano, por meia hora, em uma personalidade internacional, sem revelar, porém, sua identidade. A razão ? Estavam fazendo amor. Michelle ficou pasma com a pergunta que Bruni soltou depois : ‘e vocês nunca tiveram um caso semelhante’?”.

Sombras sobre o mundo

O mundo volta a ser coberto por sombras. As Bolsas de Valores apavoram investidores. As grandes interrogações invadem os espíritos : estamos adentrando o espaço de uma nova crise ? Esta crise será mais devastadora do que a de 2008 ? Enquanto as questões se impõem sob um panorama de dúvidas, algumas inferências podem ser feitas : os Estados Unidos terão de fazer esforço extraordinário para evitar a débâcle. No horizonte, a elevação da autoestima dos cidadãos. A maior democracia do planeta não pode passar a ideia de corrosão, declínio, derrota. Crescimento do país será pequeno, coisa de 2% a 2,5% nos próximos anos. Mas haverá sempre uma luz no fim do túnel.

Europa na cadeia

As pedras do dominó estão enfileiradas. Grécia já está no corredor escuro da crise. Espanha, Itália, Portugal e Irlanda estão na fila. Alemanha, com sua economia forte, apresenta-se como fortaleza de abrigo. Até quando ? Caindo uma pedrinha, a outra não ficará em pé. A previsão é a de que o dominó caia até a última pedra. Não há no mar revolto nenhum espaço que possa guardar águas tranquilas. O planeta é interdependente. As fronteiras estão imbricadas. Procura-se uma luz. Um caminho. Uma rota.

O Brasil mais firme ?

A garantia é geral : o Brasil possui fundamentos macroeconômicos para superar mais esta crise. Ninguém, contudo, deve se surpreender se a crise também por aqui começar a afetar o bolso dos consumidores. Vejamos esta pequena fresta : a China, maior credor dos EUA, vê a situação destrambelhar. Entraria em parafuso. Baixaria a montanha de commodities brasileiras que importa. Ou seja, continuará a comprar minério de ferro e alimentos, mas não na quantidade anterior à crise. Significaria diminuição de nossa conta de exportação. Cofre menos cheio. Cortes de programas fundamentais, inclusive nas frentes sociais.

Efeitos

A leitura de um cenário abrigando tais vetores mostra aperto no bolso do consumidor brasileiro. Lembre-se que, na crise de 2008, o país suportou o trauma com muito consumo interno. Esta foi a receita de Lula. Que deu certo. E agora ? Teremos grana para continuar a consumir a torto e a direito. O ministro Guido Mantega começa a bater na tecla : o consumidor deve ter cuidado. Precisa controlar o consumo. Poupar. Fazer reservas para enfrentar tempos de vacas magras. Portanto, a alternativa para enfrentar a crise, pelo que se infere, já não comporta os mesmos ingredientes do passado. Mesmo assim, as perspectivas apontam para um país que não sofrerá tanto quanto outros os danos irreparáveis de um tsunami.

Porém…

Há um porém : menos dinheiro no bolso poderá significar estômago mais apertado. Sensação de fome. Que causa raiva, indignação, contrariedade. Vamos aos que interessa : o caminho do voto. E a rota é esta : o voto entra pelo bolso, espalha-se pelo estômago em forma de alimento para sustentar o corpo, sobe ao coração (quando gera emoção) e, por último, pega o elevador para chegar à cabeça. O coração dará um voto de agradecimento quando o bolso puder pagar a conta do alimento. Ou dará uma banana de repulsa a certos candidatos quando o bolso estiver vazio. Este processo se consolida no estágio da cabeça, quando o eleitor disseca todas as possibilidades, analisa, julga, e acaba tomando a decisão (racional) de votar em quem representará sua esperança.

Hotéis em alta ?

Até 2014, a hotelaria deverá despontar e o entusiasmo não é apenas motivado pela Copa do Mundo. É que o setor vive, atualmente, uma conjuntura bastante favorável. Pelo menos 200 novos hotéis devem ser construídos até lá, demandando um montante de mais de 7 bilhões de reais em investimentos. A maioria desses novos empreendimentos está fora de destinos litorâneos ou ligados a lazer. “Até janeiro de 2012 devemos inaugurar uma nova unidade em Porto Velho, onde o turismo de negócios é forte”, diz Julio Serson, presidente do Grupo Serson – rede que, atualmente com cinco hotéis, opera em São Paulo, Maranhão, Pará e Rondônia.

Prócer e liderança

Auxiliar direto do governador Dinarte Mariz, Grimaldi Ribeiro apresenta-lhe outro político interiorano no Palácio Potengi. “Este é um prócer político do Trairi”. Noutra oportunidade, utiliza vocábulo diferente. “Governador, esta é uma liderança política da região Oeste”. Intrigado com as constantes distinções, mas sem captar a sutileza da separação, o arguto Dinarte interpela Grimaldi. “Por que uns são próceres e outros, lideranças” ? Professoral, Grimaldi justifica : “Governador, prócer só tem pose, e liderança é que tem voto”.

Carlos Santos em seu livro “Só Rindo 2”.

Mulheres no comando

As empresárias pouco a pouco ganham mais espaço nos setores de prestação de serviços terceirizáveis e de trabalho temporário. Já lideram 35% das empresas associadas ao Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário do Estado de São Paulo (Sindeprestem).

Haddad quebra resistências

Fernando Haddad, ministro da Educação, quebra resistências no PT. Candidato de Lula à prefeitura paulistana, Haddad começa a aparecer nos circuitos pré-eleitorais. Ainda encabulado. Marta Suplicy não deixa por menos : se Lula quer perder, deverá ir com ele. As prévias partidárias deverão ser debatidas no 4º Congresso do PT, em setembro próximo.

Prévias no PSDB

Já no PSDB, Geraldo Alckmin patrocina as prévias. O candidato a prefeito sairá dessa consulta que os tucanos farão às bases do partido. O governador paulista só não defende prévias se José Serra se habilitar a ser o candidato.

Dois lançados

Os candidatos já lançados são dois : o deputado Gabriel Chalita, pelo PMDB, e Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da OAB/SP, pelo PTB.

Crises em série

O governo Dilma atravessou o mar borrascoso dos tempos de Antonio Palocci. Entrou, a seguir, nas águas tempestuosas que engolfaram o ministro e o Ministério dos Transportes. Atravessa, agora, um oceano agitado na área da Agricultura. Mas o ministro Wagner Rossi, de pronto, agiu para restabelecer a calma. Saiu o secretário-executivo. As coisas tendem a se ajustar. E, de repente, mais um estouro nos canais do Turismo. 38 pessoas envolvidas numa situação embaraçosa. Que começou com emendas de uma deputada do Amapá, no valor de R$ 9 milhões, favorecendo um Instituto, o Ibrasi, em contratos com o Ministério do Turismo para capacitação profissional. Mazelas de nosso sistema político/governativo.

Perfumarias

O primeiro-ministro da Irlanda, Bertie Ahern, chegou a gastar 27 mil euros por ano em hidratantes, cosméticos e esfoliantes. Tony Blair chegava gastar 1.500 euros em produtos semelhantes. Sua mulher, Cherie Blair, colocou na conta do Partido Trabalhista 11.242 euros gastos com cabeleireiro. É o que conta o jornalista Jorge Elias, de El Nación.

O consultor Serra

José Serra abriu uma consultoria. Palestras e eventos estão no portfólio da empresa. Mas passa o tempo fazendo contatos. Visitando uns e outros. Amigos novos, amigos antigos e até quem é, hoje, seu adversário. Marca visitas e comparece. Atenuou a empáfia. Está mais leve, dizem. Mas, quem conhece bem Serra, avisa : Serra só ouve Serra.

São Paulo mais seguro

A segurança privada quer deixar São Paulo mais seguro. Levantamento do Sesvesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo) mostrou que o Estado de São Paulo criou mais de 19 mil empregos formais para vigilantes, de 2010 para 2011 – totalizando mais de 167 mil postos. Cada vez mais, o exército da segurança privada chega próximo do efetivo da segurança pública. O número de empresas, no entanto – cerca de 400 – ficou quase estagnado. Não fosse a clandestinidade e atuação canibalesca de empresas inidôneas, o setor seria mais sólido. E seguro.

Jobim com dengue

Nelson Jobim não foi à posse de Celso Amorim no Ministério da Defesa. Estaria chateado, segundo as versões correntes. A chateação até pode existir. Mas o motivo da ausência é outro : está com dengue. Pegou a doença na recente visita ao Amazonas. Lá esteve com o vice-presidente Michel Temer e o ministro Moreira Franco.

Classe média

E por falar em Moreira Franco, sua Secretaria de Assuntos Estratégicos realizou o mais amplo e profundo estudo sobre a classe média no Brasil. Trata-se de um estudo que capta a dinâmica nesse ciclo de inserção das margens no meio da pirâmide social. Moreira fez, esta semana, uma apresentação para a presidente Dilma. Fará, nos próximos dias, a apresentação da pesquisa na FIESP, a convite do presidente Paulo Skaf.

Skaf : por energia mais barata

E por falar em Paulo Skaf, vale lembrar seu esforço para baratear o custo da energia no Brasil. Com essa intenção, tem batalhado nas frentes institucionais – Executivo e Legislativo – defendendo novos leilões para concessões no setor da energia, temendo que a simples renovação dos sistemas – produção e distribuição de energia – acabe preservando o status quo. Nos últimos 5 anos, o preço médio da energia elétrica no Brasil subiu 118%; no setor industrial, esse aumento foi de 160%. Skaf defende novas licitações das usinas geradoras a partir de 2015, argumentando que a economia gerada com os novos leilões poderá chegar a R$ 904 bilhões em 30 anos. Lembra ser preciso excluir do custo de energia o valor cobrado pela amortização dos investimentos nas usinas. Elas já estão amortizadas. Com a exclusão da amortização, o valor da energia cairia cerca de 80% nesse lote.

Ayres Britto

Carlos Ayres Britto, ministro do Supremo Tribunal Federal, é um dos perfis mais interessantes e diferenciados dessa nossa República. Sábado último, este consultor teve a oportunidade de usufruir de momentos agradáveis na companhia do humanista, durante almoço na residência do vice-presidente da República, Michel Temer, em Brasília. Britto fazia acalorada defesa das instituições republicanas, detendo-se, particularmente, na liberdade de imprensa. Mesmo que a imprensa se equivoque, erre, cometa injustiças, não poderá ser censurada. Esse é seu pensamento. Leitor fiel dos textos deste articulista, no Estadão, aos domingos, o bom poeta e jurista brindou a todos com seus conhecimentos sobre o ideário das liberdades e do humanismo.

Lição de Maquiavel

O velho Maquiavel ensina : “nada é mais difícil de executar, mais duvidoso de ter êxito ou mais perigoso de manejar do que dar início a uma nova ordem de coisas”.

Conselho ao ministro da Justiça

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos órgãos de controle. Hoje, sua atenção se volta ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo :

1. O ciclo da espetacularização da Polícia Federal deu muito o que falar. As operações pareciam, antes, combinadas com veículos de comunicação. Autoridades eram flagradas em suas residências nas madrugadas e retiradas, presas, ainda em trajes de dormir.

2. Se esse ciclo ajudou a popularizar o governo da ocasião, contribuiu, por outro lado, para borrar a moldura ético-democrática que impregna o sistema republicano. O Brasil não pode e não deve ressuscitar métodos e gestos que possam atentar contra o Estado Democrático de Direito.

3. A Polícia Federal deve continuar a investigar os porões da corrupção, cumprindo a missão a ela atribuída pelos órgãos de controle social. Sua missão, porém, deverá ser conduzir dentro dos parâmetros da legalidade, obedecidos preceitos éticos e morais. E, sobretudo, pelo atendimento ao bom senso.

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A coluna Porandubas Políticas, integrante do site Migalhas (www.migalhas.com.br), é assinada pelo respeitado jornalista Gaudêncio Torquato, e atualizada semanalmente com as mais exclusivas informações do cenário político nacional.