O BRASIL DO FUTURO

Gaudêncio Torquato, Jorge Gerdau e José Goldemberg participaram do Fórum do Pensamento no Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa

Com a proposta de trazer para o ambiente da comunicação organizacional o olhar de estudiosos sobre o Brasil, o Fórum do Pensamento, inserido pela primeira vez na programação do Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa, reuniu na manhã de 7 de maio o jornalista e consultor político Gaudêncio Torquato, Jorge Gerdau, presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, e o cientista José Goldemberg. Fábio Barbosa, presidente-executivo da Editora Abril, impossibilitado de comparecer devido a compromissos profissionais, enviou um vídeo com o seu depoimento sobre o tema “O futuro que nos espera – O Brasil dos sonhos e o Brasil real.

GT
Ao analisar o Brasil de hoje, Gaudêncio Torquato destacou a herança patrimonialista – em especial a aglutinação entre espaço público e privado – como fator motivador da crise política vivenciada pelo país. “Nós temos um sistema de governo, presente também em toda a América Latina, que aplaude e apoia o poder da caneta”. Para Torquato algo ultrapassado e que tende a mudar com a ascensão da democracia participativa. “É notável o florescimento de novos polos de poder, das margens para o centro, ocupando o vácuo deixado por aqueles que, insatisfeitos, se afastam da política. A sociedade percebeu que tem poder e continuará a se manifestar nas ruas”.

GESTÃO E ECONOMIA

O Brasil precisa ficar rico antes de envelhecer”. A frase, segundo Fábio Barbosa, define a situação do país. Para ele, o país não ficará rico e um alto preço será pago pela falta de investimentos. “Estimular investimentos do setor privado na infraestrutura é uma medida relativamente fácil e que poderia rapidamente mostrar um impacto positivo no crescimento da economia. O Brasil está crescendo sim, mas não tanto quanto gostaríamos”, disse.

Nos últimos 30 anos o Brasil tem crescido em média 2,6%, com volume per capita de 1,1%. Durante 17 anos o Brasil evoluiu menos do que a média mundial. Para Jorge Gerdau, a globalização é essencialmente tecnológica e o Brasil, a não ser em commodities e minério, não tem competitividade. “Antecipação do consumo e financiamento foram os dois fatores que amenizaram o impacto da crise, mas chegamos ao limite. Sem aumentar o crescimento econômico não há como atender as demandas sociais”.

Gerdau disse ainda que o modelo político brasileiro está longe de atender aos anseios da sociedade. “Não há mais lugar para o amadorismo no processo político. É preciso profissionalismo gerencial. Qualquer que seja a instituição, sem valores bem definidos, se destrói”.

A moderação do Fórum do Pensamento foi feita pela jornalista Fátima Turci.

GERDAU