CRISE – Cenários e estratégias

Crise é desequilíbrio de um sistema. A palavra indica certo grau de desordem. Na acepção grega, o termo comporta planos diversos: conjuntura perigosa, momento decisivo, sentença, escolha, justiça, castigo, pena. Trata-se de um dos termos mais recorrentes para significar que “as coisas estão fora do prumo”.

Na acepção do grego antigo, o conceito de crise – Krinein/Krisis – significa distinguir, separar, decidir. A base do conceito aponta para um crivo, um apetrecho concreto, capaz de distinguir elementos de formas diferentes. Projetando o conceito para a Justiça, por exemplo, emerge a figura juiz, delimitando as áreas do bem e do mal, os “prós” e os “contras”, com a balança no meio. A crise, nesse contexto, indicaria uma atitude de escolha. Nesse sentido, aproxima-se do ideograma japonês, que, além do perigo, aponta para o campo das oportunidades, significando que um sistema em crise pode aproveitar a situação em que se envolve para se expandir, evoluir, inovar, melhorar, abrir alternativas, aperfeiçoar.

Os impactos se fazem sentir sobre os dois patrimônios que uma Organização/Grupo detém:

a)     Patrimônio tangível – composto pela estrutura física/equipamentos/domínio tecnológico. Patrimônio atingido plenamente ou em parte por eventos tempestivos (catástrofes, fenômenos naturais, incêndios etc);

b)     Patrimônio intangível – composto pela identidade, imagem e marca das Organizações, de seus produtos e serviços. O patrimônio intangível, objeto de longos anos de investimento de uma Organização em sua identidade e no conceito de seus produtos e serviços, é, muitas vezes, incalculável. Esse patrimônio junta aspectos da história de um Grupo, seus processos, condutas e práticas, enfim, conhecimento. Algumas marcas no mercado atingem um valor bem mais alto que o valor do patrimônio tangível.

Livro Cultura, Poder, Comunicação, Crise e Imagem